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Canais digitais como ativos estratégicos de longo prazo

Time Lumis

Publicado 01/01/2025 3 min leitura

Durante muitos anos, canais digitais foram tratados como entregas pontuais. Um site era lançado, um blog era criado, uma nova plataforma entrava no ar para atender a uma demanda específica. Após a entrega, a atenção se deslocava para o próximo projeto. Esse modelo funcionou enquanto o digital ocupava um papel secundário na estratégia das empresas. Hoje, porém, essa lógica se mostra insuficiente e arriscada. Em um cenário em que grande parte do relacionamento com clientes, parceiros e investidores acontece no ambiente digital, canais deixam de ser projetos e passam a ser ativos estratégicos de longo prazo.

Essa mudança de perspectiva altera profundamente a forma como organizações planejam, investem e governam sua presença digital. Tratar canais como ativos significa reconhecer que eles acumulam valor — ou o perdem — ao longo do tempo, dependendo das decisões tomadas.

Do projeto ao ativo: uma mudança de mentalidade

Projetos têm início, meio e fim. Ativos têm ciclo de vida. Quando um canal digital é tratado como projeto, o foco está na entrega inicial: layout, funcionalidades, publicação. Quando ele é tratado como ativo, o foco se desloca para desempenho contínuo, relevância, manutenção e evolução.

Estudos frequentemente citados pela McKinsey sobre transformação digital apontam que empresas que mantêm uma mentalidade orientada a projetos tendem a subinvestir na fase mais longa e crítica do digital: a operação. O resultado são canais que envelhecem rapidamente, acumulam problemas técnicos, perdem aderência às necessidades do público e deixam de gerar valor estratégico.

Ao adotar uma visão de ativo, a empresa passa a considerar desde o início questões como escalabilidade, governança, mensuração e sustentabilidade do canal ao longo dos anos.

Canais digitais acumulam valor com o tempo

Diferente de muitas iniciativas tradicionais de marketing, canais digitais bem geridos tendem a acumular valor. Um site com conteúdo relevante, autoridade construída e boa performance em mecanismos de busca se torna mais eficiente com o passar do tempo. Relatórios do Google sobre SEO e experiência do usuário reforçam que consistência e atualização contínua são fatores determinantes para visibilidade e engajamento.

Esse acúmulo de valor só acontece quando há investimento contínuo. Conteúdos precisam ser revisados, tecnologia precisa ser atualizada, experiência precisa evoluir. Sem isso, o ativo se deteriora. O canal continua existindo, mas perde relevância e eficácia.

Tratar canais como ativos ajuda a justificar investimentos recorrentes não como custo, mas como preservação e ampliação de valor.

Visão de ciclo de vida na estratégia digital

Ativos estratégicos exigem visão de ciclo de vida. Isso significa compreender que canais digitais passam por fases: concepção, crescimento, maturidade e, em alguns casos, declínio ou reinvenção. Cada fase demanda decisões e investimentos diferentes.

Pesquisas do MIT Sloan sobre gestão de ativos digitais mostram que organizações mais maduras planejam não apenas o lançamento de canais, mas também sua evolução e eventual consolidação. Elas evitam a proliferação descontrolada de plataformas e priorizam qualidade e coerência.

Essa visão reduz desperdícios e evita situações comuns, como manter canais obsoletos apenas por inércia ou lançar novos sem descontinuar os antigos. O resultado é um ecossistema mais enxuto, eficiente e alinhado à estratégia.

Investimento contínuo como prática de governança

Um ativo estratégico não é mantido de forma esporádica. Ele exige investimento contínuo e previsível. No digital, isso envolve orçamento para manutenção técnica, segurança, performance, conteúdo e análise de dados.

Relatórios da Gartner sobre governança digital destacam que a falta de investimento recorrente é uma das principais causas de degradação da experiência digital em grandes empresas. Quando investimentos são tratados como exceção, e não como regra, o canal se torna vulnerável a falhas e perde capacidade de acompanhar mudanças de mercado.

Ao reconhecer canais digitais como ativos, a empresa incorpora esses investimentos à sua estrutura de governança, reduzindo riscos e aumentando previsibilidade.

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Canais digitais e valor de marca

Canais digitais também são ativos intangíveis de marca. Eles moldam percepção, constroem confiança e influenciam decisões de compra. Pesquisas amplamente citadas pela Deloitte sobre experiência digital mostram que consistência e qualidade dos canais têm impacto direto na credibilidade percebida.

Um canal negligenciado transmite desleixo. Um canal bem cuidado sinaliza profissionalismo e compromisso. Essa percepção afeta não apenas clientes, mas também talentos, parceiros e investidores.

Quando tratados como ativos estratégicos, canais digitais passam a ser geridos com o mesmo cuidado dedicado a outros elementos críticos da marca.

Medição e performance de longo prazo

Outro aspecto fundamental da visão de ativo é a mensuração adequada. Projetos costumam ser avaliados por métricas de entrega: prazo, escopo, custo. Ativos são avaliados por performance ao longo do tempo.

No contexto digital, isso significa acompanhar indicadores como engajamento, retenção, recorrência, contribuição para a jornada do cliente e alinhamento com objetivos estratégicos. Estudos da PwC sobre métricas digitais destacam que organizações orientadas a valor monitoram não apenas resultados imediatos, mas tendências de médio e longo prazo.

Essa mudança de foco permite decisões mais estratégicas e evita ciclos de “lança e abandona” que corroem o valor dos canais.

Governança para proteger e ampliar o ativo

Nenhum ativo estratégico sobrevive sem governança. No digital, governança define quem decide, quem mantém, como evolui e como riscos são tratados. Sem isso, canais ficam à mercê de decisões isoladas, trocas frequentes de fornecedores e falta de continuidade.

Relatórios do World Economic Forum sobre riscos digitais ressaltam que a ausência de governança clara aumenta exposição a riscos reputacionais e operacionais. Tratar canais como ativos implica protegê-los desses riscos, garantindo continuidade e coerência.

Governança não engessa. Ela cria um ambiente onde o ativo pode evoluir com segurança e alinhamento estratégico.

Conclusão

Canais digitais não são apenas meios de comunicação. Eles são ativos estratégicos que concentram relacionamento, reputação e valor de negócio. Tratar esses canais como projetos pontuais é subestimar seu impacto e expor a empresa a riscos desnecessários.

Ao adotar uma visão de longo prazo, com foco em ciclo de vida, investimento contínuo e governança, empresas transformam seus canais digitais em plataformas sustentáveis de crescimento. Mais do que lançar novos canais, o desafio passa a ser cuidar, evoluir e extrair valor daqueles que já existem.

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