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Como estruturar times para operar ecossistemas digitais complexos

Time Lumis

Publicado 01/01/2025 3 min leitura

À medida que empresas ampliam sua presença digital, o desafio deixa de ser tecnológico e passa a ser organizacional. Sites, plataformas, sistemas, dados, canais e experiências se conectam em ecossistemas cada vez mais complexos, atravessando marketing, tecnologia, operações, produto, atendimento e governança. Nesse cenário, estruturar times para sustentar essa complexidade se torna uma questão estratégica. Não é mais sobre ter bons profissionais isolados, mas sobre desenhar modelos de trabalho capazes de operar o digital como sistema, e não como iniciativas fragmentadas.

Muitas organizações ainda tentam resolver esse desafio com estruturas tradicionais, baseadas em departamentos rígidos e responsabilidades estanques. O resultado costuma ser previsível: silos, conflitos de prioridade, decisões desconectadas e experiências digitais incoerentes. Operar ecossistemas digitais exige outro tipo de lógica — mais integrada, mais contínua e orientada a responsabilidade compartilhada.

Por que estruturas tradicionais falham no digital

Modelos organizacionais clássicos foram desenhados para eficiência funcional, não para integração contínua. Marketing cuida de conteúdo e campanhas, TI cuida de sistemas, produto cuida de funcionalidades, atendimento resolve problemas. No mundo físico, essas fronteiras eram mais claras. No digital, elas se sobrepõem o tempo todo.

Uma simples atualização em um site corporativo, por exemplo, pode envolver decisões de marca, impacto em SEO, riscos de segurança, integração com sistemas internos e reflexos na jornada do cliente. Quando cada área atua de forma isolada, o tempo de resposta aumenta e a qualidade cai.

Matérias publicadas pela Harvard Business Review ao longo dos últimos anos destacam que organizações digitais de alta performance tendem a abandonar estruturas puramente funcionais em favor de modelos mais híbridos, orientados a fluxos de valor. O motivo é simples: o digital não respeita fronteiras organizacionais.

Ecossistemas digitais exigem visão sistêmica

Antes de falar de times, é preciso entender o que está sendo operado. Um ecossistema digital corporativo não é apenas um conjunto de canais. Ele envolve plataformas, dados, processos, fornecedores, usuários e regras de governança interligados. Cada decisão local pode gerar impactos em cadeia.

Sem uma visão sistêmica, times acabam otimizando suas próprias metas em detrimento do todo. O marketing busca velocidade, a TI prioriza estabilidade, o produto foca em roadmap interno. Isoladamente, essas decisões fazem sentido. Em conjunto, podem gerar fricções que afetam a experiência e a operação.

Reportagens do Financial Times sobre transformação digital em grandes empresas mostram que muitos programas falham não por falta de investimento, mas por incapacidade de alinhar times em torno de uma visão comum do ecossistema. Estruturar times, portanto, começa por alinhar propósito e entendimento do sistema como um todo.

Times orientados a produtos e plataformas, não a projetos

Um dos movimentos mais relevantes na organização de times digitais é a transição de estruturas orientadas a projetos para estruturas orientadas a produtos e plataformas. Projetos têm começo e fim. Ecossistemas não.

Quando times são montados apenas para entregar projetos, o conhecimento se dispersa ao final da entrega e a responsabilidade se dilui. Já modelos orientados a produtos ou plataformas atribuem ownership contínuo: alguém é responsável por aquela parte do ecossistema ao longo do tempo.

Veículos como a MIT Technology Review vêm destacando casos de empresas que reorganizaram seus times digitais em torno de plataformas centrais — como experiência web, dados, automação ou portais corporativos — com equipes multidisciplinares responsáveis por evolução contínua, e não apenas por entregas pontuais.

Esse modelo reduz retrabalho, aumenta previsibilidade e cria accountability real sobre qualidade e sustentabilidade.

Papéis claros reduzem silos invisíveis

Estruturas integradas não significam ausência de papéis definidos. Pelo contrário: quanto mais complexo o ecossistema, mais importante é a clareza de responsabilidades. O que muda é que os papéis deixam de ser exclusivamente funcionais e passam a ser complementares.

Alguns papéis se tornam especialmente críticos:

  • Responsáveis por plataformas ou domínios digitais, com visão de longo prazo
  • Lideranças de experiência, que garantem coerência ao longo da jornada
  • Papéis técnicos focados em arquitetura, segurança e integração
  • Perfis de negócio que conectam objetivos estratégicos às decisões digitais

Matérias publicadas pela Wired sobre organizações digitais ressaltam que muitos silos não são explícitos, mas surgem da ambiguidade. Quando não está claro quem decide, quem prioriza e quem responde por impactos, o sistema se fragmenta mesmo dentro de estruturas aparentemente integradas.

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Squads ajudam, mas não resolvem tudo

O modelo de squads multidisciplinares se popularizou como resposta à rigidez organizacional. De fato, squads podem aumentar velocidade e colaboração. No entanto, quando aplicados sem uma camada de coordenação, eles também podem gerar fragmentação.

Cada squad otimiza sua própria missão, mas o ecossistema continua precisando de coerência global. Reportagens da Bloomberg sobre empresas de tecnologia mostram que, após a adoção inicial de squads, muitas organizações precisaram criar estruturas de alinhamento transversal para evitar experiências desconectadas.

Operar ecossistemas digitais complexos exige combinar autonomia local com alinhamento central. Squads funcionam melhor quando inseridos em um modelo que define princípios comuns, arquitetura compartilhada e métricas alinhadas ao todo.

Governança como estrutura de coordenação, não de controle

Para evitar silos, governança precisa ser redesenhada. Não como um comitê distante que aprova tudo, mas como uma estrutura viva de coordenação. Governança eficaz cria espaços de decisão conjunta, define critérios e garante visibilidade sobre impactos sistêmicos.

Artigos publicados pelo The Economist sobre governança digital mostram que empresas mais maduras criam fóruns permanentes onde marketing, tecnologia, produto e negócio discutem prioridades e riscos de forma integrada. Esses fóruns não substituem os times, mas conectam suas decisões.

Governança, nesse modelo, não desacelera. Ela reduz conflitos posteriores e evita decisões locais que geram problemas globais.

Competências híbridas ganham protagonismo

Outro ponto-chave na estruturação de times é o perfil das pessoas. Ecossistemas digitais não são sustentados apenas por especialistas profundos em uma única área. Eles exigem profissionais capazes de transitar entre domínios.

Matérias recentes da Fast Company sobre o futuro do trabalho digital destacam a valorização de perfis híbridos: pessoas que entendem de tecnologia e negócio, de experiência e dados, de conteúdo e plataformas. Esses profissionais atuam como conectores, reduzindo ruído entre áreas.

Isso não elimina especialistas, mas equilibra o time com pessoas que conseguem enxergar o sistema como um todo.

Métricas compartilhadas evitam otimizações locais

Estruturas organizacionais são fortemente influenciadas por métricas. Quando cada área é avaliada por indicadores isolados, o comportamento naturalmente se fragmenta. Operar ecossistemas digitais exige métricas que reflitam o desempenho do sistema, não apenas de partes.

Veículos como a Harvard Business Review frequentemente abordam como métricas de experiência, confiabilidade e eficiência transversal ajudam a alinhar times distintos em torno de objetivos comuns. Quando sucesso é medido de forma compartilhada, a colaboração deixa de ser um discurso e passa a ser uma necessidade prática.

Conclusão

Estruturar times para operar ecossistemas digitais complexos não é um exercício de organograma, mas de mentalidade. Exige abandonar a lógica de departamentos isolados e adotar modelos orientados a plataformas, produtos e fluxos de valor. Exige clareza de papéis, governança integradora e métricas compartilhadas.

Empresas que conseguem fazer esse movimento reduzem silos, aumentam qualidade e criam operações digitais mais resilientes. Mais do que isso, transformam o digital de um conjunto de iniciativas desconectadas em um sistema capaz de sustentar crescimento, inovação e confiança no longo prazo.

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